segunda-feira, 18 de agosto de 2008


Aos interessados...

Caros,

Após 3 anos de blogspot, estou assasinando-o. Nada pessoal, mas ele realmente não satisfaz mais minhas mínimas expectativas. Ele até deixar orgasmo literário chegar em sua boca, faz carinha de meigo, mas seus surtos de cú docisse acabaram com minha paciência.

Não irei cuspir na tela na qual escrevi, tampouco chorar pelos links derramados, mas acredito que um time que já não cheira nem fede deve partir para um novo campo.

Por favor, não chore, caro blogspot, não era minha intenção lhe machucar por dentro, mas sei que minha escrita é grossa e um tanto quanto cabeçuda. Lembranças ficarão para sempre, e de ti levo o sorriso banguelo e sempre saudoso que mostrava ao penetrá-lo. Que bons ventos o levem e, quem sabe, tragam de volta este semi-autor...

Até a próxima.

P.s: continuamos nossa programação (a)normal em:
http://garotosequela.wordpress.com/


[windows media player: van she - strangers]

postado por caio teixeira às 2:20 PM |

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sexta-feira, 15 de agosto de 2008


Aula de Contos

Comecei, ontem, um curso de Contos Literários. Para ser sincero não sei ao certo porque estou fazendo isso. Um colega de classe me perguntou isso mesmo: "por que você está aqui?" Me surpreendi com minha própria resposta natural: "estou escrevendo um livro e me bateu um bloqueio criativo infernal", isso está em parte correto. A parte correta é o bloqueio, a incorreta é o "me bateu", não "bateu" nada, eu sou um bloqueio ambulante.

A aula? Uma punhetação infernal sobre análises literárias e etimológicas. "Mas não estamos aqui para escrever?" Vai saber... De qualquer forma, ontem foi o primeiro "exercício literário". Escrever um conto "enrolado" sobre: um homem com um pescoço muito grande e um chapéu mole, que entrou em um ônibus muito apertado. Depois de um tempo ele conseguiu um assento livre. No mesmo dia vê-se o mesmo homem em uma praça conversando com outro, quando o segundo lhe aponta que o pescoçudo teria perdido um botão do casaco.

Eis a minha versão:

Revolvendo as brumas da sociedade contemporânea

Ou

Crítica pura do empirismo multipopulacional

Pouco se sabe, ou nada, sobre o destino, ponto ou parada que cabe a cada homem, ou não-homem, que trafega pelas linhas congestionadas da vivência empírica - alguns podem conclamá-la mística - que transitamos.

Tomemos como exemplo o senhor que adentra ao recinto móvel, transportador de (pré) conceitos, no qual me encontro. A estatura deste ser bípede é contradita por sua postura subserviente. Ostenta um chapéu gasto, acredito, por seus pensamentos pouco viris. É mole. O que em uma girafa é considerada como qualidade evolutiva, diriam darwinistas (logo execrados pelos criacionistas), ao sujeito foi atribuído como sendo um colóquio raso, uma piada divina que nem ele mesmo entende.

- Êta busão arretado de gente! - exclamou, tentando, com pouco, ou nenhum, sucesso conquistar seu singelo espaço. O uno é coletivizado enquanto entroncamentos metafísicos como "por que eu", "por que aqui" e "por que não saí mais cedo do boteco" se debatem, assim como os últimos suspiros de Deus sob o julgo carrancudo - e por que não "bigodudo" - de Nietzsche.

A massa segue em frente, acima, abaixo, adentro, afora, até que uma revelação "epifânica" se mostra aos olhos esclerosados do viajante. Um assento livre. As janelas da alma lhe denunciam o súbito desejo onírico de individualidade. Sentar é preciso, mesmo sob a imprecisão do desenrolar vivencial.

Como um sonho, a viagem passa, os músculos relaxam e as pernas retesam. Mas, o que seria o relaxamento físico contra a opressão filial proposta pela mente carregada? Nada? Tudo? Passa-se meu ponto.

Caminhando por uma comuna pública, pensando sobre o bípede oprimido, perfeito espécime dos anos maquinados, automatizados, brota-me à frente tal figura novamente - ou eu que me apareci à sua percepção?

- Rapá, do teu casaco lhe sobra um buraco - afirma-lhe um opositor.

A expressão facial do sujeito descrito até o momento denuncia-lhe a cobiça, a falta de algo que lhe pertencia, ou algo que pertencia a ele e o perdeu, dentre os devaneios semióticos, simbólicos, envoltos no cotidiano.

Penso: seria o botão de seu casaco o emblema perdido de sua humanidade, ou somos apenas portas casas para este objeto arguto? Sabe-se lá.


[windows media player: los campesinos! - you! me! dancing!]

postado por caio teixeira às 3:36 PM |

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segunda-feira, 21 de julho de 2008


Resposta "Ao Órgão Responsável"

Há um tempo, senhorita Fernanda Young (cineasta) escreveu um texto extremamente interessante. Em minha imensa, e inútil, humildade, fiz uma resposta ao texto dela. Confira, alguns gostaram, a maioria foi por puxassaquismo mesmo.

Ao órgão responsável (Fernanda Young)
Resposta por Caio Teixeira

Caro Pênis

Tenho notado você olhando torto para mim. Às vezes, basta eu chegar e você se levanta. Por acaso, você tem algum problema pendente comigo?
Pênis (P): Que absurdo, estimada Vagina! Na realidade sempre imagino que é você quem se incomoda com minha pessoa, afinal, ao chegar perto de você, seu suor chega a me molhar. Seria nervosismo?

O fato de nós estarmos em lados opostos não nos faz inimigos. Ao contrário, guardo um espaço especial para você, dentro de mim, e seria ótimo se pudéssemos nos unir em prol de algumas novas conquistas. Os atritos, como em qualquer relação, são normais e bem-vindos.
P: Concordo que nosso antagonismo físico não nos coloca como adversários, mas no final, só posso me aproximar de você quando permite. Entenda, nem tudo funciona a seu bel-prazer, mas rebelar-se e procurar um consolo é um ato de covardia desnecessário. Nada que um bate-papo e alguns beijos não resolvam.

Você me acusa de ser difícil, mas não conheço personalidade mais instável que a sua. Quando eu quero conversar, você se recolhe. Quando canso de tentar, você se anima. Quando finalmente penso entender aonde você quer chegar, você se coloca numa posição diferente.
P: Mas isso é óbvio. Após tantos amigos me alertarem de sua insatisfação (ora com os superficiais, ora com os cultos e profundos) fico desnorteado com o vai-e-vem no qual me coloca que, sejamos sinceros, no final sou eu quem faz todo o trabalho.

Sei que a vida talvez lhe pareça mais dura, já que é de você que são cobrados rendimento e desempenho. Mas o mundo não gira em torno da sua existência como você pensa. Diria até que, nas horas mais tensas, você sempre dá um jeito de ficar de fora. Até no momento em que sua participação se faz mais necessária, a continuidade da espécie, você se limita a entrar com metade da matéria-prima e deixa o resto para lá.
P: Estimada, tudo o que faço é por você. Será que ainda não percebeu? Não tenho mais fôlego para sustentar as maratonas sentimentais nas quais você me coloca. Dia após dia continuo com meu trabalho manual (causado por sua inconsistência), tento convencer o mundo, inclusive suas amigas, de que consigo ser profundo. Cansei de contar as vezes que você reclamou que estava com dor de cabeça para tentarmos outra aproximação, posições diferentes nem pensar e ainda reclamo quando a chamo de purista.

Dizem que eu tenho inveja de você - mas inveja de quê, afinal? Você, desculpe, está longe de ser bonito. Trabalha num ramo de atividade sem o mínimo charme: a remoção de detritos. Mora num lugar abafado, onde o sol nunca bate. Freqüenta locais escusos, de reputação duvidosa, em busca de um tipo de divertimento que já se encontra à mão, em sua própria casa. E aquele seu melhor amigo, convenhamos, é um saco.
P: Uma reclamação estranha vinda de alguém que muitas vezes, por puro fascínio, corre atrás de objetos parecidos comigo. Isso sem contar as ocasiões em que pede para suas amigas se fantasiarem de mim. Lastimável. Quanto à moradia, sinto lhe informar, mas estamos em mesma condição.

Mesmo assim, quero frisar, tenho por você imensa consideração e simpatia. Mais que isso - sempre busquei a sua aprovação de alguma forma, atrás de sinais de que estaria lhe agradando. Você, por sua vez, nem sequer disfarça seu completo egocentrismo. Fazendo-se de sonso e sumindo após satisfazer as suas necessidades.
P: Nossos sentimentos são recíprocos. Tome como exemplo minha estima à sua melhor amiga, sempre fui simpático com ela, apesar dela preferir levar tudo por trás. Sempre a achei meio gozada, mas charmosa, mesmo com os cortes de cabelo excêntricos. Aliás, nesse quesito seria interessante que a tomasse como exemplo. Não tenho nada contra o seu corte Afro, mas o excesso nunca é muito interessante.

Você se diz sensível, porém jamais se preocupa com o que o outro está sentindo. Quer apenas ocupar o seu espaço e atingir as suas mesmas velhas metas de crescimento. Deveria tentar aumentar suas expectativas, ampliar seus horizontes, investir na sua cultura. Qual foi a última vez que você viu um filme decente?
P: Concordo com essas suas afirmativas, mas de maneira alguma as considero como problemas. Desde que me entendo como ser tem dado certo esse meu jeito, e só ver como o mundo está povoado – concordo que nossas proles não são exatamente motivo para orgulho – então não entendo porque não manter o meu ritmo. Quanto a ampliar horizontes e aumentar coisas, se eu sentir necessidade, pode ter certeza que você será a primeira a ser consultada, afinal, não conheço mais ninguém com uma visão tão larga das coisas quanto a sua. Sobre cultura e filmes, entenda tudo o que procuro são maneiras de lhe agradar, todos são filmes técnicos sobre como conseguir que vossa pessoa saia dessa inércia enfastiosa, essa secura desértica, essa frigidez melancólica.

Sei que dificilmente vou conseguir abalar sua enorme auto-estima, mas, sob o meu ponto de vista, você não passa de um solitário, perdido em sonhos impossíveis e cercado por uma situação bastante enrolada. Acha-se o máximo, superextrovertido e revela-se um bobo alegre com pinta de seboso. Um cabisbaixo baixinho carente, o tempo todo em busca de qualquer carinho.
P: Se minha auto-estima é enorme, devo-a aos repetidos sorrisos banguelos de vossa simpatia. De fato, muitas vezes prefiro minha companhia à sua dramática presença, sempre uma rainha teatral, cheia de não-me-toques, até inventa que está sangrando por dentro, quando não quer algo comigo – uma desculpa que, sinto lhe informar, não funcionará mais.

Disponho-me a ajudá-lo, colega, caso você reconheça seus defeitos e fraquezas. Posso até te indicar um bom analista. Somente recuso-me a continuar a ser cúmplice na perpetuação de um equívoco.
P: Agradeço vosso ombro amigo, mas realmente começo a preferir vê-la pelas costas. Pelo menos dessa forma, consigo-me sentir abrigado e não largado por qualquer canto.

Você não é melhor que ninguém, temos o mesmo tamanho nesta história - de fato, se você cabe em mim, sou necessariamente maior do que você.
P: De qualquer forma, entendo que tentar me explicar para vossa pessoa é o mesmo que tentar tapar uma rachadura sem mexer na estrutura da casa, ela vai continuar crescendo e se abrindo ao primeiro tremor. Tente não chorar quando eu passar à suas costas e desculpe se te machuquei por dentro, não era minha intenção, mas às vezes sou muito grosso. Até qualquer dia.


[windows media player: 311 - creatures (for a while)]

postado por caio teixeira às 1:25 PM |

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sexta-feira, 11 de julho de 2008


As Tetas

Nova postagem só porque o FioFó me obrigou a escrever...

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Olá, classe! Hoje iremos conversar sobre um assunto de extrema importância vital e social para a raça humana. Não, não tem nada haver com aquecimento global, matança de foquinhas fofinhas - que tem uma estranha alergia fatal à pauladas na cabeça - e nem caça de baleias. O assunto é teta. Ou melhor, tetas, peitos, seios, mamas. Enfim, aquelas protuberâncias estranhamente sedutoras e, definitivamente, malignas que as fêmeas humanas - espécie mamífera, caracterizado pelo polegar opositor e a imensa variedade de formas que encontra para brincar com seus órgãos genitais.

Bom, caros alunos, se você é um homem (ok ok, garoto) obviamente já obteve muito prazer com um par de peitos - menos você aí do fundo, seu gordinho punheteiro. Se for mulher, bem, pode apostar que as suas tetas, sim, são menores do que a da Claudinha, aquela gostosa.

Origem

Muitos tentam entender da onde vieram, e para onde vão, estes instrumentos femininos de tortura em massa - alguns insistem em afirmar que eles servem para a amamentação dos infantes, mas essa corrente de pensamento é composta por homens que não tiveram encontros muito agradáveis com seios.

A idéia mais aceita entre os religiosos (pode apostar que os que afirmam não pensar na coisa são os que mais perdem reuniões por ela) é que foi Deus, O Sacana-Mor, quem inventou. Mas é óbvio que não foi Ele, e como seria possível? O Senhor inventou coisas como girafas, sol, provas de matemática, bafômetro e peixe-boi. Ele nunca teria imaginação para tal feito. Corre à boca pequena que um estagiário os criou enquanto o Sacana puxava um ronco no sétimo dia. Boatos também afirmam que o mesmo estagiário criou o ornitorrinco, num acesso de dinamismo, criatividade e próativismo. Não importa, todos sabem como acabou a história: Ele ficou puto e mandou o estagiário, um tal de Gabriel, para "os quintos dos Infernos".

Cientificamente falando, a utilidade pratica dos peitos acaba aonde o pudor masculino começa, ou seja, em lugar algum. São excessos de gordura que por algum motivo - ninguém sabe direito, quem fala que sabe ta mentindo - expele leite. Algo deveras nojento se analisarmos em retrocesso e perceber a mesma arma de sedução consegue produzir um queijo-coalho de primeira qualidade.

Efeitos

Os efeitos de um par de tetas em frente a uma multidão diferem para a qualidade das mesmas. Quanto maiores, melhor é o efeito alucinógeno. Na Eslovênia, já foi registrado, por volta de 1437 d.C, que uma multidão de camponeses enfurecidos foi completamente dominada pelos peitos da Rainha, que arrancou suas vestes enquanto os insurgentes tentavam invadir o castelo, afirmando eloqüentemente: "se querem derrubar ao Reinado, lhes entrego meu corpo nu e minha alma despida em troca da paz". Bom, os camponeses entraram em frenesi completo, mas, ao contrário do que a loquaz e deliciosa Rainha desejava, eles arrebentaram mais rapidamente as grades do castelo, dizimaram a guarda real (1.000 soldados bem armados, os insurgentes eram compostos por um grupo de 35 camponeses analfabetos, o restante dos habitantes preferiu ficar tomando uma "gelada" depois do expediente) e avançaram contra a Rainha. Até hoje a ciência não consegue explicar como 36 homens (é claro que o Rei não deixou aquela oportunidade passar) conseguiram penetrar, ao mesmo tempo, uma só mulher.

Outro caso secular do efeito inebriante que as tetas causam é de Joana D'Arc, guerreira francesa, e gostosa nas horas vagas. Só que dessa vez o tiro saiu pela culatra. Ela afirmava escutar a voz Dele (já foi descoberto que "Ele", no caso de Joana, era um vizinho que havia descoberto uma maneira de fazer sua voz parecer divina, nada que uma torta de limão, um albanês e uma colher de chá não façam) e por isso decidiu livrar a França do controle bretão (não, não do esporte bretão, sua besta, estamos falando de peitos e não de futebol, moleque burro). No final, Joana, uma moça católica, não quis mostrar os peitos para ninguém, nem sob ameaça de morte. O Papa ficou tão enfurecido que mandou queimarem a coitada, daí que veio a antiga canção de ninar: "Queima, Jesus, o queima ela! Queima, Jesus, até torrar!" (Jesus era o ferreiro que tinha acesso mais rápido ao fogo).

Para onde vai?

Ah, esse é um outro problema com os peitos. Mas tenha certeza, eles não vão para as suas mãos ou boca tão cedo. Só depois de flores, chocolate, um "te amo" fingido e algumas doses de vodka. Até lá, fique com as da sua mãe, estão sempre disponíveis, acessíveis, sem muita burocracia e se ela estranhar só afirme que está sentindo-se nostálgico e gostaria de reviver as coisas boas da infância.



[windows media player: limp bizkit - only one]

postado por caio teixeira às 5:42 PM |

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domingo, 25 de maio de 2008


...

Perdi... Eu realmente perdi. Só tem que achar de... Péra! É isso...? Não, volta, calma. Eu deixei cair em algum lugar ali perto do... Não, não. Deve ter sido em outro lugar. Será que se eu pedir... Não, nada haver. Ninguém vai saber onde está, afinal de contas, fui eu quem perdeu. Então, se eu... Não, melhor não falar nada. Já sei! E se eu for até... É, quase isso, mas ainda não exatamente... Quem sabe se... Ah... sei lá. Quem eu quero enganar? Não vou achar tão fácil assim. Quem eu quero enganar? Eu mesmo.


[windows media player: flobots - rise]

postado por caio teixeira às 1:12 PM |

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terça-feira, 20 de maio de 2008


Contagem

Basicamente, todos os meus posts ficam vagando no limbo do meu blog até completarem uns 3 ou 4 comentários...

postado por caio teixeira às 8:27 AM |

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terça-feira, 29 de abril de 2008


Relatos desconexos de uma mente lotada de endorfina

Lembra o que eu vinha reclamando há meses? Ow, você aí... Pera... Por favor, senhora, poderia acordar aquele casal que está dormindo atrás de vossa poltrona? Oi? Eles não estão dormindo? Ah, entendo os roncos "estranhos" agora. De qualquer forma, como eu estava falando: passo pela situação exatamente oposta àquela que se apresentava há meses. O fluxo de idéias é infindável e, assim como diz o título, desconexo. Logo, começarei pelo mais lógico, que por ordem de inversão relativa de valores, não irá fazer sentido algum para você. Ou para o casal "dormindo" atrás da bondosa senhora... Ah, pois não? Oi? A senhora é minha... mãe? Desculpa!

Ato I – A Mudança

Na realidade foi algo céptico, límpido. Saí para trabalhar e voltei para um lugar que eu não fazia idéia de onde ficava. Viu? Sem mágoas, despedidas ou qualquer coisa do tipo. Casa nova, móveis novos e quarto novo.

O ambiente tem influenciado um tanto quanto no meu convívio com os ditos “inanimados” de meu aposento. Eu e meu ventilador desenvolvemos uma linguagem afonética, tétrica e completamente compreensível: ele quer me fuder. Eu olho para ele e ele pára de rodar, viro as costas e ele goza de pleno poder elétrico e faz questão de cuspir seu vento mecânico em minhas costas. Ou seja, ele tem planos de médio a longo prazo para cultivar uma pneumonia em minha pessoa.

Outro ponto: Carreirinha, pintassilgo e terceiro herdeiro de meu pai, se tornou um Deus ao inverso. Explico: os teólogos e sabichões devem estar se rindo de minha suposta pomposidade de chamar ele de “Deus ao inverso” ao invés de simplesmente “Diabo”, mas entendam o caso. Ele fica, obviamente em uma gaiola, porém, logo após todos da casa - menos eu, ou seja, quase todos - irem dormir ele começa a demonstrar seu poder. Ele fica com sua gaiola – como já disse – na lavanderia do apartamento - isso eu não havia dito -, exatamente onde ficam os lixos e cesto de roupas sujas da casa. Se preciso jogar uma cueca no cesto, sua gaiola está sobre o cesto, caso eu precise jogar uma latinha de cerveja no lixo, sua gaiola está sobre o lixo. Entenderam?

Eu tenho tido que exercitar jogar o lixo no lixo sem querer jogar o lixo no lixo. Não tem dado certo. É desse fato que vem o “Deus ao contrário”, porque ele sabe o que eu vou fazer, antes de eu o fazer e se move sobre o compartimento em questão, ou seja, ele é Deus por saber disso e por conseguir estar em todos esses locais, porém “ao contrário” porque se impele em mostrar que a coisa está ali, o cesto ou o lixo, e basta um esforço de minha parte para levantar a gaiola. O que não vai acontecer. E não é o Diabo, pois se o fosse ele mostraria cinco lixos, sendo que destes, cinco estariam cheios de garrafas completas de vodka, absinto, whiskey, cerveja, cachaça e um sobressalente com suco de morango - "só para fazer o mix, cumpadi", diria o Cramunhão, ou pintassilgo, em questão caso o Demônio se hospedasse na gaiola.

Ato II – Relações

Algo que vem se tornando um desafio antropológico é manter contato com outros seres humanos que, basicamente, não sejam eu.

Saindo do banho às 1h30 da manhã de ontem, nu, me deparo com a mulher de meu pai. Aceno com cortesia, ela devolve o aceno. Eu e você sabemos que “cortesia” numa hora dessas significa “trauma psicológico eminente”. Eu não faço terapia, pois acho psicólogos uns doidos varridos, e trauma é coisa de frutinha - menos de graviola, porque dessa eu gosto. Ela já faz terapia. Assunto resolvido.

Meu novo prédio possui uma academia e hoje fui testa-la – daí vem a endorfina em excesso. Ao entrar na sala uma senhora de uns trin..qua..sesse...cento-e-qualquer coisa (sempre fui um ótimo fisionomista) estava na esteira. Aceno e ela acena da maneira dos porteiros: cara crachá cara crachá, porém, o meu crachá para ela está um pouco mais embaixo. Parece que ela não gostou do que viu. “Está frio hoje, né”, disse eu tentando achar uma desculpa enquanto ligava o ventilador no máximo, adquiri um tic horrendo para com eles.

Fui até a máquina chamada step, ou “aquela merda que parece um esqui para asfalto”. Dez minutos depois e toda a água do meu corpo gotejava pela testa, via luzes nos cantos dos olhos – “brilha brilha estrelinha!” – e arreguei. A senhora devia estar ali há dias, talvez séculos, seu corpo não possuia um pingo de suor, era exangue, comecei a pensar na possibilidade dela ser um replicante. “Esqueci minha água”, sorriso sem graça. Cara crachá cara crachá. Nunca mais volto no habitat daquela Meg White dos infernos.

Ato III – A Grandiosidade do...

FIM.

P.s: Em tempo, eu não tenho pinto pequeno, tampouco uma taroba de arrancar suspiros da Virgem Maria, “sou apenas um rapaz latino-americano, apoiado por mais de cinqüenta mil mano!”

P.s²: Realmente não deu para evitar de chamar Racionais MC’s para compartilhar deste momento.

[windows media player: coheed and cambria – devil in jersey city]

postado por caio teixeira às 12:03 AM |

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nome: __ hm.. caio.. eh.. err.. teixeira?
anos: __ [onde foi que eu coloquei a cola?]
sexo: masculino( ) feminino ( ) [eu realmente odeio esses formulários]
endereço: ____ [onde sua irmã perdeu a calcinha! hááá]
complemento: ___ [calma! calma! desculpa, não precisa bater!]

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